Existe um ponto sutil — quase imperceptível — em que revisar deixa de ser um exercício de aperfeiçoamento e se transforma em uma forma elegante de adiar o fim. É quando você já sabe que o texto está bom, mas continua trocando vírgulas, ajustando adjetivos e mexendo em palavras que, no fundo, não precisam ser tocadas.
Chamamos isso de perfeccionismo, mas muitas vezes é medo. Medo de mostrar o que escrevemos, medo de não ser bom o suficiente, medo do julgamento. E assim, sob o disfarce da “revisão cuidadosa”, permanecemos presos a uma eterna versão inacabada.
A revisão é necessária — mas tem um limite. Depois de um certo ponto, ela deixa de melhorar o texto e começa a corroer sua energia criativa. Escrever exige coragem para dizer “basta”. Publicar, enviar ou simplesmente dar por encerrado é parte do processo.
Às vezes, o melhor jeito de evoluir um texto é deixá-lo ir. O próximo sempre será melhor — justamente porque tivemos coragem de terminar o anterior.
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